minha história

“Mãe…acho que estou com hipo!”

Qual mãe pâncreas nunca ouviu esta frase? E aí o coração bate apertado e ela corre para a cozinha para preparar o clássico copo de água com uma colher de sopa de açúcar e quando vira para a criança….ela já está devorando aquele pudim de leite condensado que esqueceram na geladeira. Este era o momento esperado desde que a mãe fizera o pudim para a visita da tia que aconteceu no domingo passado.

Somente tendo sido uma adolescente com diabetes para entender o que a criança sente na hora de uma hipo. Ao mesmo tempo, somente sendo uma mãe como sou agora de uma jovem de 19 e um menino de 12 posso compreender a apreensão que todas as mães pâncreas sentem ao perceber que a glicemia do filho está caindo. É por essa dualidade de sentimentos que me sinto intimamente ligada às mães pâncreas e me vejo ativa em duas posturas como missão de vida: quero defender a criança que ainda não consegue expressar o que sente diante da vida com o diabetes; mas também quero me solidarizar com o esforço sobrenatural que estas mães fazem para tentar controlar o diabetes de seus filhos.

Nesta imensidão de sentimentos, escrevi uma matéria sobre as Mães Pâncreas para a estréia da Revista Em Diabetes, uma revista eletrônica escrita por cinco diabéticos que estão fazendo o melhor por si e por toda a comunidade em diabetes, uma jornalista com mais de 20 anos de experiência nesta área e um renomado endocrinologista que deseja compartilhar seu conhecimento para expandir a educação e a informação sobre a doença em seus vários aspectos. Tudo junto e misturado.

Confiram a matéria completa abaixo e, por favor, deixem seu comentário!

Um grande beijo,

Sheila

MÃE-PÂNCREAS: Coração de mãe que funciona dentro do corpo do filho

…como um pâncreas!

        Fabiana Cuerci se tornou mãe pâncreas em outubro de 2016, quando Felipe, seu filho caçula de apenas 5 anos, recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1. “Eu já fiquei com a pulga atrás da orelha quando o Felipe começou bebendo muita água num sábado. Era um copo atrás do outro. Comida mesmo para mastigar ele não queria. O Felipe foi bebendo líquido o dia todo, muito líquido e muito xixi. Fez xixi na cama também. No domingo ele acordou muito pior e à noite ele vomitou. Neste período eu já pesquisava na internet o que estava acontecendo para levar ele à pediatra. Em todos os lugares em que eu pesquisava, nos blogs, tudo indicava que era diabetes. Eu não queria acreditar que era diabetes. Na segunda-feira, fiz o exame de glicose em jejum no laboratório e deu 240. Corri para a pediatra e ela confirmou que era diabetes. E foi nesse dia que a gente soube que já era a “Bete” que estava com a gente, que ela tinha entrado na nossa vida.

        Um mês depois, Fabiana criou o grupo no Facebook Diabetes Infantil que tem 2.269 seguidores com o objetivo de ouvir desabafos, esclarecer dúvidas e compartilhar dicas para ajudar outras mães que precisam enfrentar o mesmo desafio, todos os dias.

        Embora o símbolo do coração seja bastante usado para comemorar o Dia das Mães, para aquelas que tem filhos com diabetes, é uma glândula que passa a ficar na cabeça de a partir do diagnóstico:  “Por que o pâncreas do meu filho (ou minha filha) parou de produzir insulina?”.

        Enquanto a medicina não responde esta questão, são as mães que precisam fazer o papel desta complexa e poderosa glândula que controla os níveis de açúcar no sangue no organismo dos seus filhos. Papel que envolve a aplicação de insulina basal diária, a correção da glicemia em todas as refeições com a aplicação da insulina de ação rápida, a prevenção e correção de hipoglicemias. Para isto, elas precisam aprender, ensinar e fazer a medição freqüente da glicemia em seus filhos, garantir o cuidado regular dos órgãos mais afetados pela doença (olhos, rins, pés, coração, dentes, enfim…o corpo todo). Além de cuidar da alimentação, de promoverem a atividade física, levarem ao endocrinologista pelo menos de 3 em 3 meses, incentivarem seus filhos a seguir o tratamento e aceitarem a doença. Ufa!!!!

“A gente precisa estar ali 24 horas por dia para ajudar nossos pequenos. Sem a gente, não tem como eles sobreviverem. É o nosso coração que bate dentro deles.”

        Segundo Fabiana é como se o coração da mãe batesse dentro do corpo do filho, funcionando 24 horas como um pâncreas. É o amor e o cuidado que mantém as crianças vivas e bem. De onde as Mães Pâncreas encontram tanta força? Fabiana responde: “É cada dia, a cada amanhecer quando ele acorda e abre os olhinhos e diz: “Mãe eu te amo!”. Você não pode desanimar, você tem que ter força, tem que ser forte, por mais que você esteja moída como pó de rabiola, você não pode desanimar. É uma batalha constante pela vida. Acho que Deus dá essa força, dá um sopro no coração para seguir em frente e não parar nunca.”

        Na verdade, as mães pâncreas fazem mais do que a função das células Beta do pâncreas. Elas fazem muito mais do que as pessoas ao seu redor  sequer imaginam. As mães pâncreas estão sempre pesquisando pela cura, sempre aflitas em garantir os insumos para seus filhos, sempre testando a melhor receita que afete menos a glicemia do filho, sempre orando para que eles possam ultrapassar cada obstáculo e alcançar o futuro que planejam. “A minha maior expectativa em relação ao futuro é ver ele saudável, construindo a família dele, o futuro dele, a carreira dele. Vendo que a doença não vai impedir ele de nada, que ele será sempre maior que a doença, maior que a “Bete” e que nada vai parar meu filho.”, desabafa Fabiana.

                18471857_176772706183389_1414052815_oFabiana é casada, mora em Nova Iguaçú, município da Baixada Fluminense e é mãe da Isabella (18), do Lucas (17), da Luísa (11) e de Felipe (5) que tem diabetes há 8 meses.

Segundo Fabiana, a grande ajuda ela encontrou para enfrentar o diabetes do caçula estava bem pertinho dela: o marido e que ele participou de todos os momentos difíceis desde o diagnóstico, foi a todas as consultas  e deixou até de trabalhar por um mês para conseguir aprender sobre o diabetes de Felipe. “Logo no início, a médica passou insulina demais para meu filho e ele teve muitas hipos (abaixo de 30) e ficávamos revezando para dormir. O pai ia dormir às 4 horas da madrugada e eu assumia de 4 em diante. Ele está sempre junto, só não aplica a insulina e faz a medição da glicemia somente quando necessário”.

A união da família tem sido fundamental para sustentar esta mãe pâncreas que já conta com a filha mais velha para aplicar as insulinas quando a mãe precisa sair. Agora, 8 meses após o diagnóstico, Fabiana diz que a situação já começa a voltar à rotina. Ela tem uma pizzaria delivery em Nova Iguaçu e está radiante com a possibilidade de inaugurar sua própria loja em breve.

“Lembrei de cada choro dele no início do tratamento. Hoje eu vejo o quanto eu e ele somos vencedores. Não derrotamos a “Bete”, simplesmente colocamos ela para dormir.”

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s