histórias de diabéticos

DIABETES: UMA EPIDEMIA? PARTE II

Outro dia eu comentei sobre a sensação de que estava sempre esbarrando com algum diabético por aí. E não é que aconteceu novamente. Desta vez eu descobri sem querer, numa situação muito improvável. Eu fui consertar o freio do carro e procurei um cara especialista no assunto. Nas redondezas, o Marcelo era “o cara do freio”. Com a fama, sua oficina está sempre cheia. Decidi esperar minha vez. Era por volta de 10:30 quando cheguei. Ele me atendeu solícito e disse que o meu carro seria o próximo. Fiquei ouvindo rádio e observando o trabalho do pessoal da oficina. De repente…comecei a me sentir meio desligada. Não sei exatamente qual foi o sintoma para que meu sinal de alarme começasse a tocar mas…ele tocou. Fiz o teste e surpresa: estava com 40. Puxa vida, tão pouco e eu não estava sentindo nenhum mal estar maior. Imagina se ele libera o carro e eu não faço o exame. Ia dirigir naquele estado completamente hipoglicêmico. Mas, felizmente, meu anjo da guarda está sempre ao meu lado.
Como não tinha nenhum bar perto para eu tomar alguma bebida com açúcar, pedi ao Marcelo para que ele mandasse um dos garotos da oficina comprar uma coca normal. E completei: “- É que eu sou diabética e meu açúcar está muito baixo. Por isso tem que ser coca normal, tá?”. Neste momento ele virou para mim e disse:
“- Puxa, eu descobri que sou diabético também há uns 40 dias. Passei muito mal, fui internado e estou em dieta. Vou lá pegar uma coca pra você!”
E ele foi pessoalmente me atender. Fiquei surpresa com sua revelação e, na volta, puxei conversa sobre sua história. Ele tem 40 anos, 3 filhos, é casado e vive para o trabalho. Há uns 40 dias ele estava se sentindo muito mal: bebia 6 litros de água por noite, estava emagrecendo muito e vivia exausto. Um amigo seu que é médico o levou para fazer alguns exames e sua glicemia estava beirando os 500. Agora o Marcelo está fazendo uma dieta e tomando remédios para manter a glicemia no controle. Ele aprendeu a fazer os testes mas anda preocupado em não poder tomar mais suas cervejinhas. Senti que ele estava assustado com os rumos que sua vida estava tomando e que a doença está fazendo ele reavaliar suas prioridades. Ele revelou que pretende viajar mais com a família e que deixará mais tempo com os funcionários. Enfim, vai buscar um equilíbrio. Ele acha que o estresse no trabalho pode ter desencadeado o diabetes. É…isso é bem provável. Juntamente com as 12 latinhas de coca normal que ele consumia diariamente. Para encorajá-lo, disse que eu adoro cerveja e que tomo de vez em quando. Ele se mostrou mais aliviado. Falei do blog mas ele não usa a internet. Mais um participante deste, agora, nem tão mais seleto grupo de diabéticos do planeta.
E pensar no acaso…se eu não tivesse a hipo, não teria descoberto mais esta história. Espero ter ajudado.

Beijos em todos

Sheila

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